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A
M I Z A D E
PERANTE
OS AMIGOS
O
amigo é uma bênção que nos cabe cultivar no clima da gratidão.
Quem diz que ama e não procura compreender e nem auxiliar, nem amparar
e nem servir, não saiu de si mesmo ao encontro do amor de alguém.
A amizade verdadeira não é cega, mas se enxerga defeitos nos corações
amigos, sabe amá-los e entendê-los mesmo assim.
Teremos vencido o egoísmo em nós quando nos decidirmos ajudar os entes
amados a realizarem a felicidade própria, tal qual entendem eles, deva
ser a felicidade que procuram, sem cogitar de nossa própria felicidade.
Em geral, pensamos que os nossos amigos pensam como pensamos, no
entanto, precisamos reconhecer que os pensamentos deles são criações
originais deles próprios.
A ventura real da amizade é o bem dos entes queridos.
Assim como espero que os amigos me aceitem como sou, devo, de minha
parte, aceitá-los como são.
Toda vez que buscamos descreditar esse ou aquele amigo, depois de
havermos trocado convivência e intimidade, estaremos desmoralizando a nós
mesmos.
Em qualquer dificuldade com as relações afetivas é preciso lembrar
que toda criatura humana é um ser inteligente em transformação
incessante, e, por vezes, a mudança das pessoas que amamos não se
verifica na direção de nossas próprias escolhas.
Quanto mais amizade você der, mais amizade receberá.
Se Jesus nos recomendou amar os inimigos, imaginemos com que imenso amor
nos compete amar aqueles que nos oferecem o coração.
ANDRÉ
LUIZ
(Sinal Verde, 12, CEC)
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A
M O R
EM
MATÉRIA AFETIVA
Sempre
é forçoso muito cuidado no trato com os problemas afetivos dos outros,
porque muitas vezes os outros, nem de leve, pensam naquilo que possamos
pensar.
Os Espíritos adultos sabem que, por enquanto, na Terra, ninguém pode,
em sã consciência, traçar a fronteira entre normalidade e
anormalidade, nas questões afetivas de sentido profundo.
Os pregadores de moral rigorista, em assuntos de amor, raramente não
caem nas situações que condenam.
Toda pessoa que lesa outra, nos compromissos do coração, está
fatalmente lesando a si própria.
Respeite as ligações e as separações, entre as pessoas de seu mundo
particular, sem estranheza ou censura, de vez que você não lhes
conhece as razões e processos de origem.
As suas necessidades de alma, na essência, são muito diversas das
necessidades alheias.
No que tange a sofrimentos do amor, só Deus sabe onde estão a queda ou
a vitória.
Jamais brinque com os sentimentos do próximo.
Não assuma deveres afetivos que você não possa ou não queira
sustentar.
Amor, em sua existência, será aquilo que você fizer dele.
Você receberá, de retorno, tudo o que der aos outros, segundo a lei
que nos rege os destinos.
Ante os erros do amor, se você nunca errou por emoção, imaginação,
intenção ou ação, atire a primeira pedra, conforme recomenda Jesus.
ANDRÉ
LUIZ
(Sinal Verde, 37, CEC)
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B
E N F E I T O R E S
PERANTE
OS MENTORES ESPIRITUAIS
Ponderar com especial atenção
as comunicações transmitidas como sendo de autoria de algum vulto célebre,
e somente acatá-las pelos conceitos com que se enquadrem à essência
doutrinária do Espiritismo.
A luz não se compadece com a sombra.
Abolir a prática da invocação nominal dessa ou daquela entidade, em
razão dos inconvenientes e da desnecessidade de tal procedimento em
nosso dias, buscando identificar os benfeitores e amigos espirituais
pelos objetivos que demonstrem e pelos bens que espalhem.
O fruto dá notícia da árvore que o produz.
Apagar a preocupação de estar em permanente intercâmbio com os Espíritos
protetores, roubando-lhes tempo para consultá-los a respeito de todas
as pequeninas lutas da vida, inclusive problemas que deva e possa
resolver por si mesmo.
O tempo é precioso para todos.
Acautelar-se contra a cega rendição à vontade exclusiva desse ou
daquele Espírito, e não viciar-se em ouvir constantemente os
desencarnados, na senda diária, sem maior consideração para com os
ensinamentos da própria Doutrina.
Responsabilidade pessoal, patrimônio intransferível.
Honrar o nome e a memória dos mentores que lhe tenham sido
companheiros ou parentes consangüíneos na Terra, abstendo-se de
endereçar-lhes petitórios desregrados ou descabidas exigências.
A comunhão com os bons cria para nós o dever de imitá-los.
Furtar-se de crer em privilégios e favores particulares para si, tão-somente
porque esse ou aquele mentor lhe haja dirigido a palavra pessoal de
encorajamento e carinho.
Auxílio dilatado, compromisso mais amplo.
ANDRÉ
LUIZ
(Conduta Espírita, 25, FEB)
HISTÓRIAS
DE ANDRÉ LUIZ
"Examinem
vocês algumas das perguntas que nos são desfechadas, com absoluta
sinceridade, por milhares de companheiros, assim que se conscientizam
quanto à própria desencarnação:
- Onde se localiza o céu dos bem-aventurados?
- Onde residem os anjos?
- Por que Deus em pessoa não se dispôs a vir recebê-los?
- Por que Jesus lhes foge à visão, se viveram orando e confiando
nele?
- Por que são convidados a trabalhar se tanto esperaram pelo
descanso?
- Em que lugar estão os infernos?
- Onde estão encravados os purgatórios?
- Por que as entidades angélicas não lhes dispensam as atenções de
que se julgam merecedoras?
Para resumir, dir-lhes-ei que, há dias, um amigo nosso, devotado
obreiro do Bem, na Espiritualidade, foi questionado por um irmão recém
vindo da Terra, dentre aqueles que lhe recebiam diretrizes, sobre o
melhor meio pelo qual conseguiria enxergar alguns demônios.
Com o melhor humor, o companheiro apenas respondeu: - Meu filho,
lamento muito, mas não tenho aqui um espelho para nós dois!"
(André Luiz - Chico Xavier, Endereços da Paz, edição C.E.U.)
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C
A R I D A D E
CARIDADE
E VOCÊ
Acredita
você que só a caridade pode salvar o mundo; entretanto, não se
demore na posição de comentarista.
Não nos diga que é pobre e incapaz de contribuir na campanha
renovadora da sublime virtude.
Senão vejamos:
Se você destinar a quantia correspondente a um refrigerante ou um
aperitivo em cinco doses, segundo os seus hábitos, aos serviços de
qualquer hospital, no fim de um mês haverá mais decisiva medicação
para certo doente.
Se você renunciar ao cinema de uma vez em cada cinco, endereçando o
dinheiro respectivo a uma creche, ao término de duas ou três
semanas, a instituição contará com mais leite em favor das crianças
necessitadas.
Se você suprimir um maço de cigarros em cada cinco de seu uso
particular, dedicando o fruto dessa renúncia a uma casa erguida para
os irmãos distanciados do conforto doméstico, em breve tempo o
agasalho devido a eles será mais rico.
Se você economizar as peças do vestuário, guardando a importância
equivalente a uma delas em cada cinco, para socorro ao próximo menos
feliz, no fim de um ano disporá você mesmo de recursos suficientes
para vestir alguém que a nudez ameaça.
Não espere pela bondade dos outros.
Lembre-se daquela que você mesmo pode fazer.
É possível que você nos responda que o supérfluo é seu próprio
suor, que não nos cabe opinar em seu caminho e que o copo e o filme,
o fumo e a moda são movimentados à sua custa.
Você naturalmente está certo na afirmativa e não seremos nós quem
lhe contestará semelhante direito.
A vontade é sagrado atributo do espírito, dádiva de Deus a nós
outros, para que decidamos, por nós, quanto à direção do próprio
destino.
Todavia, nosso lembrete é apenas uma sugestão aos companheiros que
acreditam na força da caridade e só ganhará realmente algum valor
se houver algum laço entre a caridade e você.
ANDRÉ LUIZ
(O Espírito da Verdade, 57, FEB)
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C
A S A M E N T O
ENTRE
CÔNJUGES
Prossiga
amando e respeitando os pais, depois da formação da própria casa,
compreendendo, porém, que isso traz novas responsabilidades para o
exercício das quais é imperioso cultivar independência, mas, a
pretexto de liberdade, não relegar os pais ao abandono.
Não deprecie os ideais e preocupações do outro.
Selecione as relações.
Respeite as amizades do companheiro ou da companheira.
É preciso reconhecer a diversidade dos gostos e vocações daquele ou
daquela que se toma para compartilhar-nos a vida.
Antes de observar os possíveis erros ou defeitos do outro, vale mais
procurar-lhe as qualidades e dotes superiores para estimulá-los ao
desenvolvimento justo.
Jamais desprezar a importância das relações sexuais com o respeito
à fidelidade nos compromissos assumidos.
Não sacrifique a paz do lar com discussões e conflitos, a pretexto
de honorificar essa ou aquela causa da Humanidade, porque a dignidade
de qualquer causa da Humanidade começa no reduto doméstico.
Não deixe de estudar e aprimorar-se constantemente, sob a desculpa de
haver deixado a condição de solteiro ou solteira.
Sempre necessário compreender que a comunhão afetiva no lar deve
recomeçar, todos os dias, a fim de consolidar-se em clima de harmonia
e segurança.
ANDRÉ
LUIZ
(Sinal Verde, 5, CEC)
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CASA
ESPÍRITA
NOSSO
GRUPO
Nosso
grupo de trabalho espírita-cristão, em verdade, assemelha-se ao campo
consagrado à lavoura comum.
Almas em pranto que o procuram simbolizam terrenos alagadiços que nos
cabe drenar proveitosamente.
Observadores agressivos e rudes são espinheiros magnéticos que
devemos remover sem alarde.
Freqüentadores enquistados na ociosidade mental constituem gleba seca
que nos compete irrigar com carinho.
Criaturas de boa índole, mas vacilantes na fé, expressam erva frágil
que nos pede socorro até que o tempo as favoreça.
Confrades irritadiços, padecendo melindres pessoais infindáveis, são
os arbustos carcomidos por vermes de feio aspecto.
Irmãos sonhadores, eficientes nas idéias e negativos na ação,
representam flores improdutivas.
Pedinchões inveterados, que nunca movem os braços nas boas obras,
afiguram-se-nos folhagem estéril que precisamos suportar com paciência.
Amigos dedicados ao mexerico e ao sarcasmo são pássaros arrasadores
que prejudicam a sementeira.
O companheiro, porém, que traz consigo o coração, para servir, é o
semeador que sai com Jesus a semear, ajudando incessantemente a execução
do Plano Divino e preparando a seara do Amor e da Sabedoria, em favor
da Humanidade, no Futuro Melhor.
ANDRÉ LUIZ
(Coragem, 36, CEC)
CONDUTA
ESPÍRITA NO TEMPLO
Entrar
pontualmente no templo espírita para tomar parte das reuniões, sem
provocar alarido ou perturbações.
O templo é local previamente escolhido para encontro com as Forças
Superiores.
Dedicar a melhor atenção aos doutrinadores, sem conversação,
bocejo ou tosse bulhenta, para que seja mantido o justo respeito ao
lar de oração.
Os atos da criatura revelam-lhe os propósitos.
Evitar aplausos e manifestações outras, as quais, apesar de
interpretarem atitudes sinceras, por vezes geram desentendimentos e
desequilíbrios vários.
O silêncio favorece a ordem.
Com espontaneidade, privar-se dos primeiros lugares no auditório,
reservando-os para os visitantes e pessoas fisicamente menos capazes.
O exemplo do bem começa nos gestos pequeninos.
Coibir-se de evocar a presença de determinada entidade, no curso das
sessões, aceitando, sem exigência, os ditames da Esfera Superior no
que tange ao bem geral.
A harmonia dos pensamentos condiciona a paz e o progresso de todos.
Acostumar-se a não confundir preguiça ou timidez com humildade, abraçando
os encargos que lhe couberem, com desassombro e valor.
A disposição de servir, por si só, já simplifica os obstáculos.
Desaprovar a conservação de retratos, quadros, legendas ou quaisquer
objetos que possam ser tidos na conta de apetrechos para ritual, tão
usados em diversos meios religiosos.
Os aparatos exteriores têm cristalizado a fé em todas as civilizações
terrenas.
Oferecer a tribuna doutrinária apenas a pessoas conhecidas dos irmãos
dirigentes da Casa, para não acumpliciar-se, inadvertidamente, com
pregações de princípios estranhos aos postulados espíritas.
Quem se ilumina, recebe a responsabilidade de preservar a luz.
Nas reuniões doutrinárias, jamais angariar donativos por meio de
coletas, peditórios ou venda de tômbolas (bingo), à vista dos
inconvenientes que apresentam, de vez que tais expedientes podem ser
tomados à conta de pagamento por benefícios.
A pureza da prática da Doutrina Espírita deve ser preservada a todo
custo.
ANDRÉ
LUIZ
(Conduta Espírita, 11, FEB)
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C
I D A D A N I A
NA
VIA PÚBLICA
Demonstrar,
com exemplos, que o espírita é cristão em qualquer lugar.
A vinha do Senhor é o mundo inteiro.
Colaborar na higiene das vias públicas, não atirando detritos nas
calçadas e nas sarjetas.
As pessoas de bons costumes se revelam nos menores atos.
Consagrar os direitos alheios, usando cordialidade e brandura com todo
transeunte, seja ele quem for.
O culto da caridade não exige circunstâncias especiais.
Cumprimentar com serenidade e alegria as pessoas que convivem conosco,
inspirando-lhes confiança.
A saudação fraterna é cartão de paz.
Exteriorizar gentileza e compreensão para com todos, prestando de
boamente informações aos que se interessam por elas, auxiliando as
crianças, os enfermos e as pessoas fatigadas em meio ao trânsito público,
nesse ou naquele mister.
Alguns instantes de solidariedade semeiam simpatia e júbilo para
sempre.
Coibir-se de provocar alarido na multidão, através de gritos ou
brincadeiras inconvenientes, mantendo silêncio e respeito, junto às
residências particulares, e justa veneração diante dos hospitais e
das escolas, dos templos e dos presídios.
A elegância moral é o selo vivo da educação.
Abolir o divertimento impiedoso com os mutilados, com os enfermos
mentais, com os mendigos e com os animais que nos surjam à frente.
Os menos felizes são credores de maior compaixão.
Proteger, com desvelo, caminhos e jardins, monumentos e pisos, árvores
e demais recursos de beleza e conforto, dos lugares onde estiver.
O logradouro público é salão de visita para toda a comunidade.
ANDRÉ
LUIZ
(Conduta Espírita, 6, FEB)
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D
I V Ó R C I O
CASAMENTO
E DIVÓRCIO
Divórcio,
edificação adiada, resto a pagar no balanço do espírito devedor.
Isso porque geralmente um dos cônjuges, sócio da firma do casamento,
veio a esquecer que os direitos na instituição doméstica somam
deveres iguais.
A Doutrina espírita elucida claramente o problema do lar, definindo
responsabilidades e entremostrando os remanescentes do trabalho a
fazer, segundo os compromissos anteriores em que marido e mulher
assinaram contrato de serviço, antes da reencarnação.
Dois espíritos sob o aguilhão do remorso ou tangidos pelas exigências
da evolução, ambos portando necessidades e débitos, combinam o
encontro ou o reencontro no matrimônio, convencidos de que união
esponsalícia é, sobretudo, programa de obrigações regenerativas.
Reincorporados, porém, na veste física, se deixam embair pelas ilusões
de antigos preconceitos da convenção social humana ou pelas hipnoses
do desejo e passam ao território da responsabilidade matrimonial,
quais sonâmbulos sorridentes, acreditando em felicidade de fantasia
como as crianças admitem a solidez dos pequeninos castelos de papelão.
Surgem, no entanto, as realidades que sacodem a consciência.
Esposo e esposa reconhecem para logo que não são os donos exclusivos
da empresa.
Sogro e sogra, cunhados e tutores consangüíneos são também sócios
comanditários, cobrando os juros do capital afetivo que emprestaram,
e os filhos vão aparecendo na feição de interessados no ajuste,
reclamando cotas de sacrifícios.
O tempo que durante o noivado era todo empregado no montante dos
sonhos, passa a ser rigorosamente dividido entre deveres e pagamentos,
previsões e apreensões, lutas e disciplinas e os cônjuges
desprevenidos de conhecimento elevado, começam a experimentar fadiga
e desânimo, quanto mais se lhes torna necessária a confiança recíproca
para que o estabelecimento doméstico produza rendimento de valores
substanciais em favor do mundo e da vida do espírito.
Descobem, por fim, que amar não é apenas fantasiar, mas acima de
tudo, construir. E construir pede não somente plano e esperança, mas
também suor e por vezes aflição e lágrimas.
Auxiliemos, na Terra, a compreensão do casamento como sendo um consórcio
de realizações e concessões mútuas, cuja falência é preciso
evitar.
Divulguemos os princípios da reencarnação e da responsabilidade
individual para que os lares formados atendam à missão a que se
destinam.
Compreendamos os irmãos que não puderam evitar o divórcio porquanto
ignoramos qual seria a nossa conduta no lugar deles, nos obstáculos e
sofrimentos com que foram defrontados, mas interpretemos o matrimônio
por sociedade venerável de interesses da alma perante Deus.
ANDRÉ
LUIZ
(Sol nas Almas, 10, CEC)
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D
O E N Ç A
1.VOCÊ
ESTÁ ACAMADO?
2. PASSE E FLUIDOTERAPIA
3. VONTADE DO PACIENTE
1.
VOCÊ ESTÁ ACAMADO?
Todos reconhecem o desconforto
da prisão no leito, no entanto, a irritação piora qualquer doença.
- A dor sufoca-lhe as esperanças?
O consolo da prece é medicamento para todos os males.
- A confiança da cura foge-lhe ao coração?
Nem médicos ou familiares podem garantir-lhe a melhora que nasce,
espontânea, do íntimo de você mesmo.
- A revolta envenena-lhe a alma?
A Terra só é vale de lágrimas para os olhos do pessimismo.
- A morte ronda-lhe os pensamentos?
Passagem para a espiritualidade, caminho de todos.
- O destino dos filhos ensombra-lhe as horas?
A herança mais valiosa é o exemplo do amor à Providência Divina,
através das obrigações cumpridas.
- Saudades aflitivas laceram-lhe a memória?
A mente é a nossa primeira farmácia.
- Sente remorsos, à vista de antigos passos?
Homem algum na Terra pode gabar-se de santo.
- Seus lábios já não sabem mais sorrir?
Recorde que os enfermos otimistas e alegres amparam caridosamente quem
os visita, estimulando-lhes a coragem.
Guarde a certeza de que se a luz do Evangelho é força no coração e
brilho na consciência, a saúde está perto e todos os prognósticos
são favoráveis ante o Grande Futuro.
ANDRÉ
LUIZ
(Ideal Espírita, 74, CEC)
2.
PASSE E FLUIDOTERAPIA
MENTE
E PSICOSSOMA - Compreendendo-se o envoltório psicossomático por
templo da alma, estruturado em bilhões de células a se
caracterizarem por atividade incessante, é natural imaginemos cada
centro de força e cada órgão por departamento de trabalho,
interdependentes entre si, não obstante o caráter autônomo atribuível
a cada um.
Semelhantes peças, no entanto, obedecem ao comando mental, sediado no
cérebro, que lhes mantém a coesão e o equilíbrio, por intermédio
das oscilações inestancáveis do pensamento.
Temos, assim, as variadas províncias celulares sofrendo o impacto
constante das radiações mentais, a lhes absorverem os princípios de
ação e reação desse ou daquele teor, pelos quais os processos da
saúde e da enfermidade, da harmonia e da desarmonia são associados e
desassociados, conforme a direção que lhes imprima a vontade.
Naturalmente não podemos esquecer que o alimento comum garante a
subsistência do corpo físico, através da permuta contínua de substâncias
com a incessante transformação de energia, e isso acontece porque a
força mental conjuga substância e energia na produção dos recursos
de apoio à existência e dos elementos reguladores do metabolismo.
Além desses fatores, cabe-nos contar com os fatores mentais para a
sustentação de todos os agentes da vida, que se fará dessa ou
daquela forma, segundo a qualidade desses mesmos ingredientes.
Conforme a integridade desses princípios, resultará a integridade do
poder mecânico da mente para a formação dos anticorpos na
intimidade das forças componentes do sistema sangüíneo.
SANGUE E FLUIDOTERAPIA - Salientando-se que o sistema hemático do
corpo físico representa o conjunto das energias circulantes no corpo
espiritual ou psicossoma, energias essas tomadas em princípio pela
mente, através da respiração, ao reservatório incomensurável do
fluido cósmico, é para ele que nos compete voltar a atenção, no
estudo de qualquer processo fluidoterápico de tratamento ou de cura.
Relacionados com os centros psicossomáticos, os variados núcleos da
vida sangüínea produzem as grandes coletividades corpusculares das
hemácias, dos leucócitos, trombócitos, macrófagos, linfócitos,
histiócitos, plasmócitos, monócitos e outras unidades a se
dividirem, inteligentemente em famílias numerosas, movimentando-se em
trabalho constante, desde os fulcros geratrizes do baço e da medula
óssea, do fígado e dos gânglios, até o âmago dos órgãos.
Fácil entender que todo desregramento de natureza física ou moral
faz-se refletir, de imediato, por reações mentais conseqüentes,
sobre as províncias celulares, determinando situações favoráveis
ou desfavoráveis ao equilíbrio orgânico.
O pensamento é a força que, devidamente orientada, no sentido de
garantir o nível das entidades celulares no reino fisiológico, lhes
facilita a migração ou lhes acelera a mobilidade para certos efeitos
de preservação ou defensiva, seja na improvisação de elementos
combativos e imunológicos ou na impugnação aos processos patogênicos,
com a intervenção da consciência profunda.
Deduzimos, sem dificuldade, que se é possível a hipnotização da
mente humana, com vistas a certos fins, com mais propriedade
operar-se-á a magnetização das entidades corpusculares, para
efeitos determinados, no ajustamento das células.
MÉDIUM PASSISTA - Entendemos que a mediunidade curativa se reveste da
mais alta importância, desde que alicerçada nos sentimentos mais
puros da mais pura fraternidade.
É claro que não nos reportamos aos magnetizadores que desenvolvem as
forças que lhes são peculiares, no trato da saúde humana.
Referimo-nos, sim, aos intérpretes da Espiritualidade Superior,
consagrados à assistência providencial aos enfermos, para
encorajar-lhes a ação.
Decerto, o estudo da constituição humana lhes é naturalmente
aconselhável, tanto quanto ao aluno de enfermagem, embora não seja médico,
se recomenda a aquisição de conhecimentos do corpo em si. E do mesmo
modo que esse aprendiz de rudimentos da Medicina precisa atentar para
a assepsia do seu quadro de trabalho, o médium passista necessitará
vigilância no seu campo de ação, porquanto de sua higiene
espiritual resultará o reflexo benfazejo naqueles que se proponha
socorrer. Eis porque se lhe pede a sustentação de hábitos nobres e
atividades limpas, com a simplicidade e a humildade por alicerces no
serviço de socorro aos doentes, de vez que semelhantes fatores
funcionarão à maneira do tungstênio na lâmpada elétrica, suscetível
de irradiar a força da usina, produzindo a luz necessária à expulsão
da sombra.
O investimento cultural ampliar-lhe-á os recursos psicológicos,
facilitando-lhe a recepção das ordens e avisos dos instrutores que
lhe propiciem amparo, e o asseio mental lhe consolidará a influência,
purificando-a, além de dotar-lhe a presença com a indispensável
autoridade moral capaz de induzir o enfermo ao despertamento das próprias
forças de reação.
MECANISMO DO PASSE - Tendo mencionado o fenômeno hipnótico em
diversas passagens de nossas anotações, a ele recorremos, ainda uma
vez, para definir o medianeiro do passe magnético por autêntico
representante do magnetizador espiritual, à frente do enfermo.
Estabelecido o clima de confiança, qual acontece entre o doente e o médico
preferido, cria-se a ligação sutil entre o necessitado e o
socorrista e, por semelhante elo de forças, ainda imponderáveis no
mundo, verte o auxílio da Esfera Superior, na medida dos créditos de
um e outro.
Ao toque da energia emanante do passe, com a supervisão dos
benfeitores desencarnados, o próprio enfermo, na pauta da confiança
e do merecimento de que dá testemunho, emite ondas mentais características,
assimilando os recursos vitais que recebe, retendo-os na própria
constituição fisiopsicossomática, através das várias funções do
sangue.
O socorro, quase sempre hesitante a princípio, corporifica-se à
medida que o doente lhe confere atenção, porque, centralizando as próprias
radiações sobre as províncias celulares de que se serve, lhes
regula os movimentos e lhes corrige a atividade, mantendo-lhes as
manifestações dentro de normas desejáveis, e, estabelecida a
recomposição, volve a harmonia orgânica possível, assegurando à
mente o necessário governo do veículo em que se amolda.
3.
VONTADE DO PACIENTE
O
processo de socorro pelo passe é tanto mais eficiente quanto mais
intensa se faça a adesão daquele que lhe recolhe os benefícios, de
vez que a vontade do paciente, erguida ao limite máximo de aceitação,
determina sobre si mesmo mais elevados potenciais de cura.
Nesse estado de ambientação, ao influxo dos passes recebidos, asa
oscilações mentais do enfermo se condensam, mecanicamente, na direção
do trabalho restaurativo, passando a sugeri-lo às entidades celulares
do veículo em que se expressam, e os milhões de corpúsculos do
organismo fisiopsicossomático tendem a obedecer, instintivamente, às
ordens recebidas, sintonizando-se com os propósitos do comando
espiritual que os agrega.
PASSE O ORAÇÃO - O passe, como gênero de auxílio, invariavelmente
aplicável sem qualquer contra-indicação, é sempre valioso no
tratamento devido aos enfermos de toda classe, desde as criancinhas
tenras aos pacientes em posição provecta na experiência física,
reconhecendo-se, no entanto, ser menos rico de resultados imediatos
nos doentes adultos que se mostrem jungidos à inconsciência temporária,
por desajustes complicados no cérebro.
Esclareçamos, porém, que, em toda situação e em qualquer tempo,
cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os
planos mais elevados da vida, porquanto, através da oração, contará
com a presença sutil dos instrutores que atendem aos misteres da
Providência Divina, a lhe utilizarem os recursos para a extensão
incessante do Eterno Bem.
(ANDRÉ
LUIZ, MECANISMOS DA MEDIUNIDADE, Cap. XXII, Pág. 157 à 162: Cura e
Passe)
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E
D U C A Ç Ã O
EDUCAÇÃO
O
amor é a base do ensino.
Professor e aluno, cooperação mútua.
O auto-aprimoramento será sempre espontâneo.
Disciplina excessiva, caminho de violência.
A curiosidade construtiva ajuda o aprendizado.
Indagação ociosa, dúvida enfermiça.
Egoísmo nalma gera temor e insegurança.
Evangelho no coração, coragem na consciência.
Cada criatura é um mundo particular de trabalho e experiência.
Não existe vocação compulsória.
Toda aula deve nascer do sentimento.
Automatismo na instrução, gelo na idéia.
A educação real não recompensa nem castiga.
A lição inicial do instrutor envolve em si mesma a responsabilidade
pessoal do aprendiz.
Os desvios da infância e da juventude refletem os desvios da madureza.
Aproveitamento do estudante, eficiência do mestre.
Maternidade e paternidade são magistérios sublimes.
Lar, primeira escola; pais, primeiros professores; primeiro dia de vida,
primeira aula do filho.
Pais e educadores! Se o lar deve entrosar-se com a escola, o culto do
Evangelho em casa deve unir-se à matéria lecionada em classe, na
iluminação da mente em trânsito para as esferas superiores de Vida.
ANDRÉ LUIZ
(O Espírito da Verdade, 16, FEB)
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E
S P Í R I T A S
EXAMINEMOS
A NÓS MESMOS
"O
dever do espírita-cristão é
tornar-se progressivamente melhor.
Útil, assim, verificar, de quando em quando, com rigoroso exame
pessoal, a nossa verdadeira situação íntima.
Espírita que não progride durante três anos sucessivos permanece
estacionário.
- Testa a paciência própria: Estás mais calmo, afável e
compreensivo?
- Inquire as tuas relações na experiência doméstica: Conquistaste
mais alto clima de paz dentro de casa?
- Investiga as atividades que te competem no templo doutrinário: -
Colaboras com mais euforia na seara do Senhor?
-
Observa-te nas manifestações perante os amigos: Trazes o Evangelho
mais vivo nas atitudes?
- Reflete em tua capacidade de sacrifício: Notas em ti mesmo mais
ampla disposição de servir voluntariamente?
- Pesquisa o próprio desapego: Andas um pouco mais livre do anseio de
influência e de posses terrenas?
- Usas mais intensamente os pronomes "nós",
"nosso" e "nossa" e menos os determinativos
"eu", "meu" e "minha"?
- Teus instantes de tristeza ou de cólera, surda, às vezes tão
conhecidas somente por ti, estão presentemente mais raros?
- Diminuíram-te os pequenos remorsos ocultos no recesso da alma?
- Dissipaste antigos desafetos e aversões?
- Superas-te os lapsos crônicos de desatenção e negligência?
- Estudas mais profundamente a Doutrina que professas?
- Entendes melhor a função da dor?
- Ainda cultivas alguma discreta desavença?
- Auxilias aos necessitados com mais abnegação?
- Tens orado realmente?
- Teus ideais evoluíram?
- Tua fé raciocinada consolidou-se com mais segurança?
- Tens os verbo mais indulgente, os braços mais ativos e as mãos
mais abençoadoras?
- Alegria é Evangelho no coração: - Estás de fato, mais alegre e
feliz intimamente, nestes três últimos anos?
Tudo caminha! Tudo evolui! Confiramos os nosso rendimento individual
com o Cristo!
Sopesa a existência hoje, espontaneamente, em regime de paz, para que
não te vejas na obrigação de sopesá-la amanhã sob o impacto da
dor.
Não te iludas! Um dia que se foi é mais uma cota de
responsabilidade, mais um passo rumo à Vida Espiritual, mais uma
oportunidade valorizada ou perdida.
Interroga a consciência quanto à utilidade que vens dando ao tempo,
à saúde e aos ensejos de fazer o bem que desfrutas na vida diária.
Faze isso agora, enquanto te vales do corpo humano, com a
possibilidade de reconsiderar diretrizes e desfazer enganos
facilmente, pois, quando passares para o lado de cá, muita vez, já
será mais difícil...
ANDRÉ
LUIZ
(Opinião Espírita, cap. 1, edição
CEC)
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E
S P Í R I T O S
APRESENTAÇÃO
DOS DESENCARNADOS
Per.:
Que princípios regem a apresentação dos Espíritos
desencarnados aos médiuns humanos?
ANDRÉ
LUIZ: O aspecto que as entidades desencarnadas assumem perante os médiuns
humanos, quando se comunicam na Terra, pode variar infinitamente.
Os Espíritos Superiores, pelo domínio natural que exercem sobre as células
psicossomáticas, podem adotar a apresentação que mais proveitosa se
lhes afigure, com vistas à obra meritória que se propõem realizar.
Entretanto, essa maneira de intercâmbio não é a mais comum, porque,
de modo geral, os desencarnados impressionam os instrumentos mediúnicos
encarnados na forma em que efetivamente se encontram.
Decerto, não falta indumentária digna às criaturas que se emancipam
do vaso físico, roupagem, toda ela, confeccionada com esmero e
carinho por mãos hábeis e nobres da esfera extrafísica.
É importante considerar, todavia, que os Espíritos desencarnados,
mesmo os classe inferior, guardam a faculdade de exteriorizar os
fluidos plasticizantes que lhe são peculiares, espécie de
aglutininas mentais com que envolvem a mente mediúnica encarnada,
recursos esses nos quais plasmam, como lhes seja possível, as imagens
que desejam expressar e que adquirem para as percepções do médium
coloração e movimento, fazendo-o exprimir-se ou agir, em
comportamento semelhante ao passivo comum na hipnose provocada.
Tais fenômenos, porém, são isolados e apenas se verificam entre o médium
e a entidade que o influencia, sem substância na realidade prática,
qual ocorre no campo das sugestões, durante a interligação mento-psíquica,
entre o hipnotizado e o hipnotizador.
Per.:
Como interpretaremos a existência
de roupas, calçados e peças protéticas nas entidades desencarnadas
se tais petrechos são inanimados, não sendo dirigidos de modo direto
pela mente?
ANDRÉ
LUIZ: A mente não comanda as moléculas de algodão do vestuário de
que se serve no corpo físico, mas pode usá-las, segundo as suas
necessidades no mundo.
Ocorre o mesmo no Plano Espiritual, em que nos utilizamos das
possibilidades ao nosso alcance para atender a esse ou àquele
imperativo de nossa apresentação. (Evolução em Dois Mundos, 2a.
Parte, cap. V)
LINGUAGEM
DOS DESENCARNADOS
Per.:
Como se caracteriza a linguagem entre os Espíritos?
ANDRÉ
LUIZ: Incontestavelmente, a linguagem do Espírito é, acima de tudo,
a imagem que exterioriza de si próprio.
Isso ocorre mesmo no plano físico, em que alguém, sabendo
refletir-se, necessitará poucas palavras para definir a largueza de
seus planos e sentimentos, acomodando-se à síntese que lhe angaria
maior cabedal de tempo e influência.
Círculos espirituais existem, em planos de grande sublimação, nos
quais os desencarnados, sustentando consigo mais elevados recursos de
riqueza interior, pela cultura e pela grandeza moral, conseguem
plasmar, com as próprias idéias, quadros vivos que lhes confirmem a
mensagem ou o ensinamento, seja em silêncio, seja com a despesa mínima
de suprimento verbal, em livres circuitos mentais de arte e beleza,
tanto quanto muitas inteligências infelizes, treinadas na ciência da
reflexão, conseguem formar telas aflitivas em circuitos mentais
fechados e obsessivos, sobre as mentes que magneticamente jugulam.
De acordo com o mesmo princípio, Espíritos desencarnados, em muitos
casos, quando controlam as personalidades mediúnicas que lhes
oferecem sintonia, operam sobre elas à base das imagens positivas com
que as envolvem no transe, compelindo-as a lhes expedir os conceitos.
Nessas circunstâncias, expressa-se a mensagem pelo sistema de reflexão,
em que o médium, embora guardando o córtex encefálico anestesiado
por ação magnética do comunicante, lhe recebe os ideogramas e os
transmite com as palavras que lhe são próprias. Todavia, não
obstante reconhecermos que a imagem está na base de todo intercâmbio
entre as criaturas encarnadas ou não, é forçoso observar que a
linguagem articulada, no chamado espaço das nações, ainda possui
fundamental importância nas regiões a que o homem comum será
transferido imediatamente após desligar-se do corpo físico. (Evolução
em Dois Mundos, 2a. Parte, cap. II)
ALIMENTAÇÃO
DOS DESENCARNADOS
Per.:
Como se verifica a alimentação
dos Espíritos desencarnados?
ANDRÉ
LUIZ: Encarecendo a importância da respiração no sustento do corpo
espiritual, basta lembrar a hematose do corpo físico, pela qual o
intercâmbio gasoso se efetua com segurança, através dos alvéolos,
nos quais os gazes se transferem do meio exterior para o meio interno,
e vice-versa, atendendo à assimilação e desassimilação de
variadas atividades químicas no campo orgânico.
O oxigênio que alcança os tecidos entra em combinação com
determinados elementos, dando, em resultado, o anidrido carbônico e a
água, com produção de energia destinada à manutenção das províncias
somáticas.
Estudando a respiração celular, encontraremos, junto aos próprios
arraiais da ciência humana, problemas somente equacionáveis com a
ingerência automática do corpo espiritual nas funções de veículo
físico, porque os fenômenos que lhe são conseqüentes se graduam em
tantas fases diversas que o fisiologista, sem noções do Espírito,
abordá-los-á sempre com a perplexidade de quem atinge o insolúvel.
Sabemos que para a subsistência do corpo físico é imprescindível a
constante permuta de substâncias, com incessante transformação de
energia.
Substância e energia se conjugam para fornecer ao carro fisiológico
os recursos necessários ao crescimento ou à reparação do contínuo
desgaste, produzindo a força indispensável à existência e os
recursos reguladores do metabolismo.
O alimento comum ao corpo carnal experimenta, de início, a digestão,
pela qual os elementos coloidais indifusíveis, convertendo-se ainda
as matérias complexas em matérias mais simples, acessíveis à absorção,
a que se sucede a circulação dos valores nutrientes, suscetíveis de
aproveitamento pelos tecidos, seja em regime de aplicação imediata,
seja no de reserva, destinando-se os resíduos à expulsão natural.
A ciência terrena não desconhece que o metabolismo guarda a tendência
de manter-se em estabilidade constante, tanto assim que,
reconhecidamente, a despesa de oxig6enio e o teor de glicemia em jejum
revelam quase nenhuma diferença de dia para dia.
É que o corpo espiritual, comandando o corpo físico, sana
espontaneamente, quando harmonizado em suas próprias funções, todos
os desequilíbrios acidentais nos processos metabólicos, presidindo
as reações no campo nutritivo comum.
Não ignoramos, desse modo, que desde a experiência carnal o homem se
alimenta muito mais pela respiração, colhendo o alimento de volume
simplesmente como recurso complementar de fornecimento plástico e
energético, para o setor das calorias necessárias à massa corpórea
e à distribuição dos potenciais de força nos variados
departamentos orgânicos.
Abandonando o envoltório físico na desencarnação, se o psicossoma
está profundamente arraigado às sensações terrestres, sobrevêm ao
Espírito a necessidade inquietante de prosseguir atrelado ao mundo
biológico que lhe é familiar, e, quando não a supera ao preço do
próprio esforço, no auto-reajustamento, provoca os fenômenos da
simbiose psíquica, que o levam a conviver, temporariamente, no halo
vital daqueles encarnados com os quais se afine, quando não promove a
obsessão espetacular.
Na maioria das vezes, os desencarnados em crise dessa ordem são
conduzidos pelos agentes da Bondade Divina aos centros de reeducação
do Plano Espiritual, onde encontram alimentação semelhante à da
Terra, porém fluídica, recebendo-a em porções adequadas até que
adaptem aos sistemas de sustentação da Esfera Superior, em cujos círculos
a tomada de substância é tanto menor e tanto mais leve quanto maior
se evidencie o enobrecimento da alma, porquanto, pela difusão cutânea,
o corpo espiritual, através de sua extrema porosidade, nutre-se de
produtos sutilizados ou sínteses quimioeletromagnéticas, hauridas no
reservatório da Natureza e no intercâmbio de raios vitalizantes e
reconstituintes do amor com que os seres se sustentam entre si.
Essa alimentação psíquica, por intermédio das projeções magnéticas
trocadas entre aqueles que se amam, é muito mais importante que o
nutricionista do mundo possa imaginar, de vez que, por ela, se origina
a ideal euforia orgânica e mental da personalidade. Daí porque toda
a criatura tem necessidade de amar e receber amor para que se lhe
mantenha o equilíbrio geral.
De qualquer modo, porém, o corpo espiritual, com alguma provisão de
substância específica, ou simplesmente sem ela, quando já consiga
valer-se apenas da difusão cutânea para refazer seus potenciais
energéticos, conta com os processos da assimilação e da desassimilação
dos recursos que lhe são peculiares, não prescindindo do trabalho de
exsudação dos resíduos, pela epiderme ou pelos emunctórios
normais, compreendendo-se, no entanto, que pela harmonia de nível,
nas operações nutritivas, e pela essencialização dos elementos
absorvidos, não existem para o veículo psicossomático determinados
excessos e inconveniências dos sólidos e líquidos da excreta comum.
(Evolução em Dois Mundos, 2a. Parte, cap. I)
"ENGANOS
ANTE OS ESPÍRITOS"
Julgar
que todos os Espíritos benevolentes que se comunicam na Terra são
instrumentos imaculados. Desencarnação é vida em outra face.
Considerar que eles veiculam princípios de virtude, como se fossem
anjos flanando nos céus, dando conselhos que nada lhes custa. O
professor reconhece-se impelindo a disciplinas mais austeras que as
dos alunos para ser digno da missão de ensinar.
Chamá-los, a propósito de bagatelas. Criaturas relativamente
educadas sabem respeitar os horários alheios.
Solicitar-lhes concurso em problemas estritamente materiais. Nenhum de
nós, conquanto satisfeitos de ser úteis, furtará obrigações dos
outros, das quais eles necessitam para a segurança da própria
felicidade.
Censurá-los por não estarem à nossa inteira disposição. Amigos
sinceros e conscientes não escravizam amigos.
Complicar as consultas que lhes queiramos fazer, com a desculpa de
lhes testar a existência. Só os corações irresponsáveis
intentariam transformar os entes amados em ledores de buena-dicha.
Exigir-lhes a verdade total. Todos nós cultivamos o tato psicológico
no trato recíproco e não ignoramos que certas revelações funcionam
nos mecanismos da alma, assim como determinados medicamentos que
somente beneficiam os mecanismos do corpo em dose adequada.
Criticar-lhes sem ponderação e respeito as falhas quando apareçam.
A pessoa de bom senso compreende claramente o desacerto do benfeitor
de quem já recebeu noventa e nove favores perfeitos, através de
recursos imperfeitos, como sejam os canais mediúnicos terrestres e
doente algum pode queixar-se quando ele mesmo procura obscurecer, por
todos os modos, os raciocínios e manifestações do médico.
Não desconhecemos que entre a encarnação, a desencarnação e a
reencarnação, todos somos espíritos em trabalho evolutivo.
A Doutrina Espírita é o fiel da balança de nossas relações uns
com os outros, nos planos a que se acolhem desencarnados e encarnados,
representando orientação e luz, ensinamento e pedra de toque. Diante
dela os Espíritos têm responsabilidade e os homens também.
F
E L I C I D A D E
EM
TORNO DA FELICIDADE
Em
matéria de felicidade convém não esquecer que nos transformamos
sempre naquilo que amamos.
Quem se aceita como é, doando de si à vida o melhor que tem, caminha
mais facilmente para ser feliz como espera ser.
A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à
felicidade que fizermos para os outros.
A alegria do próximo começa muitas vezes no sorriso que você lhe
queira dar.
A felicidade pode exibir-se, passear, falar e comunicar-se na vida
externa, mas reside com endereço exato na consciência tranqüila.
Se você aspira a ser feliz e traz ainda consigo determinados complexos
de culpa, comece a desejar a própria libertação, abraçando no
trabalho em favor dos semelhantes o processo de reparação desse ou
daquele dano que você haja causado em prejuízo de alguém.
Estude a si mesmo, observando que o auto-conhecimento traz humildade e
sem humildade é impossível ser feliz.
Amor é a força da vida e trabalho vinculado ao amor é a usina
geradora da felicidade.
Se você parar de se lamentar, notará que a felicidade está chamando o
seu coração para vida nova.
Quando o céu estiver em cinza, a derramar-se em chuva, medite na
colheita farta que chegará do campo e na beleza das flores que surgirão
no jardim.
ANDRÉ
LUIZ
(Sinal Verde, 26, CEC)
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M
E D I U N I D A D E
PERANTE
A MEDIUNIDADE
Reprimir
qualquer iniciativa tendente a assinalar a mediunidade, o médium ou
os fatos mediúnicos como extraordinários ou místicos.
O intercâmbio mediúnico é acontecimento natural e o médium é um
ser humano como outro qualquer.
Certificar-se de que o exercício natural da mediunidade não exime o
médium da obrigação de viver profissão honesta na sociedade a que
pertence.
Não pode haver assistência digna onde não há dever dignamente
cumprido.
Precaver-se contra as petições inadequadas junto à mediunidade.
Os médiuns são companheiros comuns que devem viver normalmente as
experiências e as provas que lhes cabem.
Por nenhuma razão elogiar o medianeiro pelos resultados obtidos através
dele, lembrando-se que é sempre possível agradecer sem lisonjear.
Para nós, todo bem puro e nobre procede de Jesus-Cristo, nosso Mestre
e Senhor.
Ainda mesmo premido por extensas dificuldades, colocar o exercício da
mediunidade acima dos eventos efêmeros e limitados que varrem
constantemente os panoramas sociais e religiosos da Terra.
A mediunidade nunca será talento para ser enterrado no solo do
comodismo.
Conversar sobre fenômenos mediúnicos e princípios espíritas apenas
em ambiente receptivos.
Há terrenos que ainda não estão amanhados para a semeadura.
Prosseguir sem vacilações no consolo e no esclarecimento das almas,
esquecendo espinheiros e pedras do vale humano, para conquistar a luz
da imortalidade que fulgura nos cimos da vida.
Desenvolver-se alguém mediunicamente, a bem do próximo, é ascender
em espiritualidade.
ANDRÉ
LUIZ
(Conduta Espírita, 27, FEB)
1 - Rende culto ao dever.
Não há fé construtiva onde falta o respeito ao cumprimento das próprias
obrigações.
2 - Trabalha espontaneamente.
A mediunidade é um arado divino que o óxido da preguiça enferruja e
destrói.
3 - Não te creias maior ou menor.
Como as árvores frutíferas, espalhadas no solo, cada talento mediúnico
tem a sua utilidade e a sua expressão.
4 - Não esperes recompensas no mundo.
As dádivas do Senhor, como sejam o fulgor das estrelas e a carícia
da fonte, o lume da prece e a bênção da coragem, não têm preço
na Terra.
5 - Não centralizes a ação.
Todos os companheiros são chamados a cooperar, no conjunto das boas
obras, a fim de que se elejam à posição de escolhidos para tarefas
mais altas.
6 - Não te encarceres na dúvida.
Todo bem, muito antes de externar-se por intermédio desse ou daquele
intérprete da verdade, procede, originariamente, de Deus.
7 - Estude sempre.
A luz do conhecimento armar-te-á o espírito contra a armadilha da
ignorância.
8 - Não te irrites.
Cultiva a caridade e a brandura, a compreensão e a tolerância,
porque os mensageiros do amor encontram dificuldade enorme para se
exprimirem com segurança através de um coração conservado em
vinagre.
9 - Desculpa incessantemente.
o ácido da crítica não te piora a realidade, a praga do elogio não
te altera o modo justo de ser, e, ainda mesmo que te categorizem à
conta de mistificador ou embusteiro, esquece a ofensa com que te
espanquem o rosto, e, guardando o tesouro da consciência limpa, segue
adiante, na certeza de que cada criatura percebe a vida do ponto de
vista em que se coloca.
10 - Não temas perseguidores.
Lembra-te da humildade do Cristo e recorda que, ainda Ele, anjo em
forma de homem, estava cercado de adversários gratuitos e de verdugos
cruéis, quando escreveu na cruz, com suor e lágrimas, o divino poema
da eterna ressurreição.
ANDRÉ LUIZ
(O Espírito da Verdade, 5, FEB)
- Gosto das reuniões espíritas,
contudo tenho medo de comparecer...
- Sinto a mediunidade, mas temo...
- Creio racionalmente no Mundo dos Espíritos, entretanto, não posso
nem pensar seja possível que um espírito me apareça...
Se surgem comumente confissões quais essas, é preciso anotar que
elas exprimem apenas reduzido número daquelas criaturas que dizem com
franqueza o que pensam.
Quantos médiuns se afastam em silêncio da ação edificante a qual
foram chamados e só os Amigos da Espiritualidade lhes testemunham o
medo inconfessável, a se lhes enrodilhar nos corações por visco
entorpecente!
Sim! Um dos muitos tipos de medianeiros frustrados no intercâmbio
espiritual e que escapam até agora de toda classificação é o médium
medroso.
As pessoas impressionáveis quase sempre revelam espontâneas
suscetibilidades incluindo naturalmente o medo por um dos agentes
essenciais da sensibilização mediúnica. Complexadas por algum fato
ou conversa ouvida, leitura ou referência que lhes vincaram a
emotividade, alimentam terror pânico e difuso ante o exercício das
faculdades psíquicas, sem qualquer razão de ser.
Certifiquemo-nos de que o medo é uma espécie de baraço invisível,
frenando inutilmente legiões de trabalhadores valorosos à margem do
serviço. Fobia - muitas vezes derivada de atitudes infantis -, é
necessário saibamos curá-la, pela medicação do amor fraternal e do
esclarecimento lógico, sem perder de vista que a ocorrência mediúnica
é manifestação de espírito para espírito igual aos sucessos
corriqueiros da vida terrestre.
Médium, se o medo é o teu problema individual, no que respeita à prática
medianímica, situa na construção da fé raciocinada a melhoria que
aspiras!
A coerência com os princípios que esposamos ensina-nos que a
criatura de fé verdadeira nada teme, senão a si própria, atenta que
vive às fraquezas pessoais. Em razão disso, é correto receares simplesmente a ti mesmo, em todos os sentimentos que ainda não
conseguiste disciplinar.
Se não te amedrontas face à condição de intérprete para a troca
verbal entre as criaturas que versam idiomas diferentes por que temer
a posição de instrumento entre pessoas domiciliadas em esferas
diferentes, carecidas da cooperação mediúnica?
Por que motivo te assustares diante dos desencarnados, que são, na
essência, personalidades iguais a ti mesmo?
Espíritos benevolentes e esclarecidos são mentores preciosos que
merecem apreço e espíritos doentes ou infelizes não devem ser
temidos, por necessitados de mais amor.
Medo é inexperiência.
Corrige-te, através do labor mediúnico, raciocinado com o Evangelho
Vivo e perseverando na tarefa de fraternidade.
Na edificação doutrinária, onde se objetiva o intercâmbio puro com
as Esferas Superiores, toados os companheiros se esforçam na garantia
dos bons pensamentos e assistência espiritual se levanta de preces
sinceras sendo, portanto, num templo espírita, o local em que a
pessoa humana coisa alguma deve temer, por encontrar aí as fontes de
seu próprio consolo e sustentação.
Não te admitas incapaz de dominar o medo perante as efusões do reino
da alma. Reage contra qualquer receio infundado, mantendo-te na tranqüilidade
da confiança, no desassombro da fé, na leitura edificante e na
meditação construtiva e, ao fazeres a tua parte na supressão de semelhante
fantasma íntimo, reconhecerás que os Benfeitores da Vida
Maior te farão descobrir na lavra mediúnica o áureo caminho da
verdade e o portal sublime do amor.
S
A Ú D E
Para
garantir saúde e equilíbrio, prometa a você mesmo:
I - Colocar-se sob os desígnios de Deus, cada dia, através da oração
e sustentar a consciência tranqüila, preservando-se contra idéias
de culpa.
II - Dar o melhor de si mesmo no que esteja fazendo.
III - Manter coração e mente, atitude e palavra, atos e modos na inspiração
constante do bem.
IV - Servir, desinteressadamente, aos semelhante, quanto esteja ao
alcance de suas forças.
V - Regozijar-se com a felicidade do próximo.
VI - Esquecer conversações e opiniões de caráter negativo que haja
lido ou escutado.
VII - Acrescentar pelo menos um pouco mais de alegria e esperança em
toda pessoa com quem estiver em contato.
Admirar as qualidades nobres daqueles com quem conviva, estimulando-os
a desenvolvê-las.
IX - Olvidar motivos de queixa, sejam quais sejam.
X - Viver trabalhando e estudando, agindo e construindo, de tal modo,
no próprio burilamento e na própria corrigenda, que não se veja
capaz de encontrar as falhas prováveis e os erros possíveis dos
outros.
ANDRÉ LUIZ
(Passos da Vida, 17, IDE)
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S
E X O
Nunca
escarneça do sexo, porque o sexo é manancial de criação divina,
que não pode se responsabilizar pelos abusos daqueles que o
deslustram.
Psicologicamente, cada pessoa conserva, em matéria de sexo, problemática
diferente.
Em qualquer área
do sexo, reflita antes de se comprometer, de vez que a palavra
empenhada gera vínculos no espírito.
Não tente
padronizar as necessidades afetivas dos outros por suas necessidades
afetivas, porquanto o amor seja luz uniforme e sublime em todos, o
entendimento e posição do amor se graduam de mil modos na senda
evolutiva.
Use a consciência,
sempre que se decidir ao emprego de suas faculdades genésicas,
imunizando-se contra os males da culpa.
Em toda comunicação
afetiva, recorde a regra áurea: "não faça a outrem o que não
deseja que outrem lhe faça".
O trabalho digno
que lhe assegure a própria subsistência é sólida garantia contra a
prostituição.
Não arme ciladas
para ninguém, notadamente nos caminhos do afeto, porque você se
precipitará dentro delas.
Não queira a sua
felicidade ao preço do alheio infortúnio, porque todo desequilíbrio
da afeição desvairada será corrigida, à custa da afeição
torturada, através da reencarnação.
Se alguém errou na
experiência sexual, consulte o próprio íntimo e verifique se você
não teria incorrido no mesmo erro se tivesse oportunidade.
Não julgue os
supostos desajustamentos ou as falhas reconhecidas do sexo e sim
respeite as manifestações sexuais do próximo, tanto quanto você
pede respeito para aquelas que lhe caracterizam a existência,
considerando que a comunhão sexual é sempre assunto íntimo entre
duas pessoas, e, vendo duas pessoas unidas, você nunca pode afirmar
com certeza o que fazem; e, se a denúncia quanto à vida sexual de
alguém é formulada por parceiro ou parceira desse alguém, é possível
que o denunciante seja mais culpado quanto aos erros havidos, de vez
que, para saber tanto acerca da pessoa apontada ao escárnio público,
terá compartilhado das mesmas experiências.
Em todos os desafios e problemas
do sexo, cultive a misericórdia para com os outros, recordando que,
nos domínios do apoio pela compreensão, se hoje é seu dia de dar,
é possível que amanhã seja o seu dia de receber.
V
A M P I R I S M O
O
arremesso da imaginação ostenta energia ilimitada quanto o
infinito, plasmando telas caleidoscópicas de maravilhosos efeitos.
A objetiva da memória desvela os sucessos mais recônditos do
destino transato ressuscitando o hausto grandioso da vida a palpitar
nas trilhas eternas.
A engrenagem do raciocínio articula os passos da criatura com
sutileza admirável no silêncio do santuário craniano.
Na mente, desfruta o homem da liberdade maior e o pensamento viaja
sem peias, nos vôos do espírito que muitas vezes nem se debuxam no
rosto. Em sua atmosfera há sempre zonas inacessíveis,
acontecimentos inexplorados e imperscrutáveis para todas as demais
criaturas encarnadas.
Nem mesmo as fantasias arrojadas de escritores geniais, os
transportes da poesia, os matizes mais raros da pintura, as
harmonias da música excelsa ou os avanços originais do progresso
contemporâneo desnudam o cérebro humano nos pujantes tesouros de
que dispõe.
Por mais turbilhonárias que sejam as paisagens ao derredor, o homem
detêm na própria existência introspectiva uma cidadela
francamente isolada e invisível. Contudo, é justamente nela que o
Espírito benfeitor ou malfeitor em qualquer condição, pela
sintonia mental, logra penetrar transpassando-a em todos os
escaninhos, decifrando-lhe todos os mistérios.
Razoável considerar, portanto, que o espírito desencarnado retém
o maior instrumento de sondagem da mente humana: a sua própria
mente livre.
No refúgio em te entrincheiras nos momentos mais agudos da tarefa
que te cabe realizar, é na mente, núcleo vibratório onde
enxameiam os faculdades da alma, que recebes o bafejo nutriente dos
Emissários da Espiritualidade Superior, em visitas benévolas de
carinho santificante, ou o sopro doentio das entidades infelizes que
te procuram, através das hipnoses perturbadoras da obsessão.
Se o psicólogo, o poeta, o compositor, o pintor ou o cientista,
ainda corporificados na Terra, com todas as suas forças e criações
arrebatadoras, não te conseguem surpreender a fortaleza interior,
os desencarnados, ainda aqueles de posição menos digna e
desprovidos de todos os recursos de elevação, paradoxalmente,
invadem-na sempre que permites, por verdadeiros vândalos do espírito,
violadores de alma, saqueando-te as energias em obscuros processos
de vampirismo e destruição.
Urge estudemos os impulsos do instinto, os prodígios da emoção,
os poderes da vontade e as forças do pensamento.
Por isso mesmo, reportando-nos à ciência moderna quando alinha os
méritos da medicina psicossomática e da análise psíquica, é
natural reverenciemos a sabedoria permanente do Cristo em nos
advertindo, para a valorização da vida em qualquer tempo:
"Orai e vigiai para não cairdes em tentação".
O
B S E S S Ã O
PENSAMENTO
E OBSESSÃO - O estudo da obsessão, conjugado à mediunidade, se
realizado em maior amplitude, abrangeria o exame de quase toda a
Humanidade terrestre.
Expressamos tal conceito, à face do pensamento que age e reage,
carreando para o emissor todas as fecundações felizes ou infelizes
que arremessa de si próprio, a determinar para cada criatura os
estados psíquicos que variam segundo os tipos de emoção e conduta
a que se afeiçoe.
Enquanto não se aprimore, é certo que o espírito padecerá, em
seu instrumento de manifestação, a resultante dos próprios erros.
Esses desajustes, como é natural, não se limitam à comunidade das
células físicas, quando em disfunções múltiplas por força dos
agentes mentais viciados e enfermiços; estendem-se, muito
especialmente, à constituição do corpo espiritual, a refletir-se
no cérebro ou gabinete complexo da alma, aí ocasionando os
diversos sintomas de perturbação do campo encefálico,
acompanhados dos fenômenos psico-sensoriais que produzem alucinações
e doenças da mente.
PERTURBAÇÕES MORAIS - Não nos propomos analisar aqui as
personalidades psicopáticas, do ponto de vista da Psiquiatria, nem
focalizar as chamadas psicoses de involução , ou as demências
senis, claramente necessitadas de orientação médica; recordemos,
contudo, que na retaguarda dos desequilíbrios mentais, sejam da
ideação ou da afetividade, da atenção e da memória, tanto
quanto por trás de enfermidades psíquicas clássicas, como, por
exemplo, as esquizofrenias e as parafrenias , as oligofrenias e a
paranóia , as psicoses e neuroses de multifária expressão,
permanecem as perturbações da individualidade transviada do
caminho que as Leis Divinas lhe assinalam à evolução moral.
Enquanto se lhe mantém a internação no instrumento físico
transitório, até certo ponto ela consegue ocultar no esconderijo
da carne os resultados das paixões e abusos, extravagâncias e
viciações a que se dedica.
Assim vive na paisagem social em que transita, até que, arredada de
semelhante vaso pela influência decisiva da morte, não mais
suporta o regime de fantasia, obrigando-se a sofrer, em si própria,
as conseqüências dos excessos e ultrajes com que, imprevidente, se
desrespeitou.
Torturada por suas próprias ondas desorientadas, a reagirem,
incessantes, sobre os centros e mecanismos do corpo espiritual, cai
a mente nas desarmonias e fixações conseqüentes e, porque o veículo
de células extrafísicas que a serve, depois da morte, é
extremamente influenciável, ambienta nas próprias forças os
desequilíbrios que a senhoreiam, consolidando-se-lhe, desse modo,
as inibições que, em futura existência, dominar-lhe-ão
temporariamente a personalidade, sob a forma de fatores mórbidos,
condicionando as disfunções de certos recursos do cérebro físico,
por tempo indeterminado.
ZONAS PURGATORIAIS - Entendendo-se que todos os delinqüentes deitam
de si oscilações mentais de terrível caráter, condensando as
recordações malignas que albergam no seio, compreendemos a existência
das zonas purgatoriais ou infernais como regiões em que se
complementam as temporárias criações do remorso, associando
arrependimento e amargura,
Na intimidade dessas províncias de sombra, em que se agrupam multidões
de criminosos, segundo a espécie de delito que cometeram, Espíritos
culpados, através das ondas mentais com que essencialmente se
afinam, se comunicam reciprocamente, gerando, ante os seus olhos,
quadros vivos de extremos horror, junto dos quais desvairam,
recebendo, de retorno, os estranhos padecimentos que criaram no ânimo
alheio.
Claro está que, embora comandados por Inteligências pervertidas ou
bestializadas nas trevas da ignorância, esses antros jazem
circunscritos no Espaço, fiscalizados por Espíritos sábios e
benfazejos que dispõe de meios precisos para observar a transformação
individual das consciências em processo de purificação ou
regeneração, a fim de conduzi-las a providências compatíveis com
a melhoria já alcançada.
Semelhante supervisão, entretanto, não impede que estas vastas
cavernas de tormento reeducativo sejam, em si, imensas penitenciárias
do Espírito, a que se recolhem as feras conscientes que foram
homens. Aí permanecem detidas por guardas especializados, que lhe são
afins, o que nos faz definir cada "purgatório particular"
como "prisão-manicômio", em que as almas embrutecidas no
crime sofrem, de volta, o impacto de suas fecundações mentais
infelizes.
Tiranos, suicidas, homicidas, carrascos do povo, libertinos,
caluniadores, malfeitores, ingratos, traidores do bem e viciados de
todas as procedências, reunidos conforme o tipo de falta ou defecção
a que se renderam, se examinados pelos cientistas do mundo
apresentariam à Medicina os mais extensos quadros para estudos
etiológicos das mais obscuras enfermidades.
Deduzimos, assim, que todos os redutos de sofrimento, além túmulo,
não passam de largos porões do trabalho evolutivo da alma, à feição
de grandes hospitais carcerários para tratamento das consciências
envilecidas.
REENCARNAÇÃO DE ENFERMOS - Dos abismos expiatórios, volvem à
reencarnação quantos se mostrem inclinados à recuperação dos
valores morais em si mesmos.
Transportados à novo berço, comumente entre aqueles que os
induziram à queda, quando não se vêem objeto e amorosa ternura
por parte de corações que por ele renunciam à imediata felicidade
nas Esferas Superiores, são resguardados no recesso do lar.
Contudo, renascem no corpo carnal espiritualmente jungidos às
linhas inferiores de que são advindos, assimilando-lhes,
facilmente, o influxo aviltante.
Reaparecem, desse modo, na arena física. Mas, via de regra, quando
não se mostram retardados mentais, desde a infância, são
perfeitamente classificáveis entre os psicopatas amorais , segundo
o conceito da "moral insanity", vulgarizado pelos
ingleses, demonstrando manifesta perversidade, na qual se revelam
constantemente brutalizados e agressivos, petulantes e pérfidos,
indiferentes a qualquer noção da dignidade e da honra,
continuamente dispostos a mergulhar na criminalidade e no vício.
Aqueles Espíritos relativamente corrigidos nas escolas de reabilitação
da Espiritualidade desenvolvem-se, no ambiente humano, enquadráveis
entre os psicopatas astênicos e abúlicos, fanáticos e
hipertímicos,
ou identificáveis como representantes de várias doenças e delírios
psíquicos, inclusive aberrações sexuais diversas.
OBSESSÃO E MEDIUNIDADE - Tais enfermos da alma, tantas vezes
submetidos, sem resultado satisfatório, à insulina e à
convulsoterapia, quando recomendados ao auxílio dos templos espíritas,
poderão ser tidos como médiuns? Sem dúvida, são médiuns
doentes, afinizados com os fulcros de sentimento desequilibrado de
onde ressurgiram para novo aprendizado entre os homens.
Por certa quota de tempo, são intérpretes de forças degradadas,
às quais é preciso opor a intervenção moral necessária, do
mesmo modo que se prescreve medicação aos enfermos.
Trazendo consigo as seqüelas ocultas da internação na província
purgatorial, de que volvem pela porta do berço terrestre,
exteriorizam ondas mentais viciadas que lhes alentam as disfunções
dos implementos físicos, ondas essas pelas quais recolhem os
pensamentos das entidades inferiores a lhes constituírem a
cobertura da retaguarda.
Apesar disso, devem ser acolhidos nos santuários do Espiritismo por
medianeiros de planos que é preciso transformar e ajudar, porquanto
um Espírito renovado para o Bem - Lei do Criador para todas as
criaturas - é peça importante para o reajustamento geral dessa ou
daquela engrenagem conturbada na máquina da vida.
DOUTRINA ESPÍRITA - Forçoso é considerar que a atividade
religiosa, digna e venerável, em qualquer setor da edificação
humana, exprime socorro celeste aos desajustes morais de quantos se
demoram na reencarnação, buscando a restauração precisa.
E, compreendendo-se que elevada percentagem das personalidades
humanas traz, no imo do próprio ser, raízes e brechas de comunhão
com o pretérito de sombra, através dos quais são suscetíveis de
sofrer os mais estranhos processos de obsessão oculta - a se
reavivarem, constantes, nos diversos períodos etários que
correspondem ao tempo de formação dos débitos cármicos que
buscam equacionar no corpo terrestre -, é justo encarecer, assim, a
oportunidade e a excelência do amparo moral da Doutrina Espírita,
como sendo o recurso mais sólido na assistência às vítimas do
desequilíbrio espiritual de qualquer matiz, por oferecer-lhes, no
estudo nobre e no serviço santificante, o clima indispensável de
transmutação e harmonização, com que se recuperem, no domínio
dos pensamentos mais íntimos, para assimilarem a influência benéfica
dos agentes espirituais da necessária renovação.
(MECANISMOS
DA MEDIUNIDADE, Cap. XXIV: Obsessão)
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